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O Anthony Bourdain morreu já sabiam, não já?


Faz amanhã um mês. E a pergunta que me faço é : como é que ficaste tão triste por esta morte rapariga?

Recebi uma mensagem no telemóvel, estava eu a trabalhar, concentrada e com alguma responsabilidade. Quando vi a mensagem o meu cérebro parou. Primeiro pensamento: pois… deve ter sido de enfarte ou cirrose, de tanto que comia e bebia. Caraças na mesma, mas aproveitou bem a vida dentro daquilo que gostava muito. Depois veio a forma como tinha morrido: suicidou-se. Aí acho que tive uma descarga emocional, não!!! Não pode ser!

Eu não o conhecia, nunca falei com ele, nada. Era meu conhecido da televisão como tantas outras figuras públicas. Mas porquê?

O Anthony Bourdain era uma referência para mim. Tinha nele tantas causas e tanta inteligência e tanta boa forma de comunicar e era apreciador de comida e era um homem que se expunha nas suas fraquezas e devaneios e eu via nele um modelo a seguir. Não falo da parte das drogas mas até isso, e à minha escala, ajudou-me a por no sítio sabendo que uma pessoa não é perfeita em nada e não é por isso que não é um bom ser humano.

Os seus programas, onde os textos eram todos escritos por ele- Jesus-  duma qualidade extrema. O seu humor aliado à crítica, a forma como entrevistava as pessoas, único. Tudo único. Podiam haver mil programas sobre o assunto, nunca nenhum podia ser cópia, porque ele era o distintivo de tudo.

Eu aprecio gente única com capacidades que me façam aprender e ele era isso. Se o Jamie Oliver está para a forma como cozinho o Anthony Bourdain está para a forma como encaro a forma de comunicar, de escrever sobre comida, de relativizar e de perceber o mundo, no seu geral.

Caramba que fiquei triste, de tal maneira que não consigo ver os programas dele. Não consigo olhar e ouvi-lo e não sentir dor. Estou em negação consciente se é que isto existe.
Não quero estar a dar enfase à parte subjetiva deste acontecimento, pois todos sabemos que a depressão ou outras doenças do foro psicológico só têm de ser entendidas e respeitadas à luz de muita tolerância, ajuda e acompanhamento.

Muita gente deve ter dito boas coisas sobre ele e a ele. Tinha muita gente que o considerava uma pessoa da família. Mas isso não foi suficiente e nada a declarar.

Lamento pela sua família, pelo seu amigo Eric Ripert, que o encontrou no quarto (meu Deus!) e por ele próprio que, muito certamente, se autossabotou e levou-o a por fim à vida, num quarto de hotel, sozinho, longe de casa e a achar que estava a fazer o melhor para si e para todos.

A mim resta-me agradecer o que me transmitiu, ensinou e inspirou mesmo que tenha morrido sem nunca o saber.

If I'm an advocate for anything, it's to move. As far as you can, as much as you can. Across the ocean, or simply across the river. The extent to which you can walk in someone else's shoes or at least eat their food, it's a plus for everybody.
Open your mind, get up off the couch, move.”

Anthony Bourdain

Os meus sinceros sentimentos,
Mafalda

Todas as imagens foram retiradas do Google.
 

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