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Quanto baste, a gosto ou opcional


Sou uma pessoa privilegiada! Em primeiro lugar, e quase nem precisava de falar de mais nada, porque a grande aplicação do Facebook Nametests.com, já me informou que devia ir presa por ser tão bonitona e fazer inveja roxa, aquela que deixa rastro por aí.😀😀😀😀

Só por isso já me devia dar por contente, mas sou do signo gémeos, um ser inconstante e sempre à procura de novos desafios. É a vida meus queridos!
B.O.N.I.T.O.N.A😝😜

O segundo motivo pelo qual sou uma pessoa privilegiada (e agora já começamos a entrar num campo menos idiota) é porque tenho a sorte de vocês virem falar comigo e de falarmos de comida com muita abertura, sem certos nem errados e, acima de tudo, porque é através destas conversas que aprendo e que me ponho a pensar, a cozinhar e a escrever melhor.

Há uns dias, numa dessas conversas, diziam-me que fugiam das receitas que diziam “q.b.” ou “a gosto” e não percebiam o que queriam dizer com “opcional”, pois se era opção para que é que constava na receita.

Fiquei a pensar sobre o assunto e não me fiquei por este desabafo, fui aos poucos perguntando a várias pessoas o que achavam sobre o assunto. Claro está que fiz uma seleção do meu público, porque não me vou deixar ficar para trás em relação aos meus colegas cientistas da Universidade de Exeter, que publicam estudos tão espetaculares como este:

Cheirar peidos pode prevenir o cancro, ataques cardíacos e demência.

Há estudos bons e depois há estes que são muito, mas mesmo muito bons. 😂😂😂😂😂

 Adiante que vocês não têm muito tempo para brincadeiras. Fui às pessoas que não gostam (muito) de cozinhar ou que acham que não têm jeito. E o padrão foi-se repetindo:

“eu quando vejo q.b. passo logo para outra”;
“eu nem sei bem do que gosto, preciso de uma receita concreta”;
“se é opcional para que é que escrevem, fico indeciso e depois fico a pensar se o insucesso do prato se deveu ao opcional”;


Nunca me tinha posto a pensar nesta dificuldade porque, para mim, é muito óbvio. Mas aí é que está: o que é óbvio para uns pode não o ser para outros e, lá está, novamente, não há problema nenhum nisso.

Para quem gosta de cozinhar e o faz com alguma facilidade, estes conceitos até passam despercebidos e muitas vezes é a intuição que nos faz juntar este ou aquele ingrediente na quantidade que achamos correta.

Contudo, vou deixar aqui algumas dicas para os meus queridos amigos que me deram o mote para este post.

Q.b. – Quanto baste

Há ingredientes que são mais fáceis de usar em q.b., como o sal ou a pimenta. A dica é sempre colocarem menos quantidade de cada vez e irem provando, disso não se safam! Provar é sempre a melhor forma de saber se é preciso mais, se é necessário retificar. É difícil colocar 15 gr. de sal ou 20 gr. de pimenta na receita porque vai mesmo depender de quem irá comer essa refeição. Pessoas hipertensas não podem comer muito sal, ou não o devem fazer de todo.

Mais difícil, por exemplo, é farinha q.b. para engrossar um molho, ou para envolver a carne. Mas, nestes casos, deixo a mesma dica que deixei em cima, pôr sempre menos e ir acrescentando conforme a textura que se irá formar.

A gosto
Parece óbvio mas não é. O “a gosto”, no meu entender, serve para podermos personalizar um cozinhado a “nosso gosto”. Digo isto muitas vezes: se a receita diz coentros "a gosto", não os vão colocar se não gostarem de coentros. A dica aqui é sempre substituir por outra erva aromática da qual gostem mais ou não pôr nada. Passa-se ainda que o “a gosto” vai depender do vosso agrado em relação ao ingrediente, ou seja, se gostarem do Bacalhau-à-Brás com muita salsa usem muita salsa, se preferirem com menos, então ponham menos. O “a gosto” pode ir de 5 gr. a 200 gr. ou até um quilo, heheheh. Imaginem um Bacalhau-à-Brás com um quilo de salsa! Eheheheh

Opcional

Este então não devia deixar dúvida nenhuma, é opção colocar esse ingrediente ou não e não vai mudar o resultado final. Eu quando digo opcional nas minhas receitas e vou usar o picante como referência, é porque sei que muita gente não gosta de picante. Mas aí é que está! Para mim as malaguetas vão dar um toque a meu gosto ao prato, mas quem não gostar de picante não o ponha sendo que, não perderá nenhuma propriedade a não ser a parte que pica, que não vos vai fazer falta porque não gostam. Expliquei-me bem?

Pronto. Acabei! Espero ter correspondido às vossas expetativas e, como sempre, tenho de vos agradecer por estarem sempre desse lado e também por virem falar comigo. É sempre um prazer. Se tiverem algum assunto que vos atrapalhe a vida (sem vergonhas) neste mundo da comida, partilhem comigo que tentarei ajudar dentro das minhas possibilidades.

Beijinhos a todos,
Mafalda

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