Avançar para o conteúdo principal

Fazer render o peixe


Literalmente foi isso que fiz! Mas o que vos quero falar, acima de tudo, é de como uma ideia de refeição se transforma rapidamente numa outra.

Eu explico melhor e vamos começar pelo início. Tinha três postas de peixe e quatro pessoas para alimentar. Se cozinhasse as postas não dava uma a cada. Pensei, então, fazer a minha versão de douradinhos. Estava confiante que ira resultar.

Por isso coloquei na bimby (ou outro robot de cozinha que tenham), as três postas de peixe, um bocadinho de pimento vermelho, cebolinho, dois dentes de alho, umas fatias de manga madura, sal, paprica fumada, sumo de lima, um bocadinho de molho de soja e triturei.

Depois acrescentei um ovo e voltei a triturar. Por fim adicionei uma chávena de flocos de aveia. Podem substituir por pão.

O que aconteceu é que ficou uma pasta em vez de uma massa consistente que eu pudesse moldar para fazer os douradinhos.

Enfim… com certeza já vos aconteceu estar a pensar que ia ficar duma forma e quando olham está completamente oposta. Fiquei frustrada porque tinha como certo que iria resultar. Tonta que sou pois já devia saber que ideias fixas dão para o torto. Pensei e quando fiquei mais calma consegui resolver a questão. Bastou puxar pela cabeça!

Se não dá douradinho vai dar bolinho!

Já tinha o forno pré-aquecido a 200º graus.
Enchi formas de silicone com umas boas colheradas daquela “pasta” que se tinha formado.
Cortei tomate cereja em metade e coloquei em cima de cada bolinho. Depois ralei queijo parmesão e levei ao forno por 20 minutos.


Passado esse tempo retirei do forno e deixei arrefecer um bocadinho. É sempre útil fazer este compasso de espera pois torna-se mais fácil desenformar.

Vejam uma coisa, não é que ficou mesmo bom! E que não ficou nem um! E quando disse que tinha aveia ficaram todos a olhar para mim!

Moral da história: adaptar e tentar dar a volta é sempre uma boa opção. Não desanimem nem se considerem maus cozinheiros se o plano inicial não corre de feição.

Agora que testados posso garantir-vos que se seguirem esta “receita” vai dar certo!
Espero que esteja tudo bem com vocês.
Mafalda


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Bodião no forno e a empreitada para deixar de comer peixe

O bodião é um peixe que se encontra facilmente na Madeira pois o seu habitat preferencial é  junto á costa em toda a orla rochosa, em locais com muitas algas e também dentro dos portos. A sua cor varia entre o vermelho e o castanho sendo que identifica se é fêmea ou macho, respetivamente. A sua carne é muito branca e densa e é dos peixes que mais gosto. Tem um sabor muito próprio que me leva à minha herança gastronómica. Em qualquer restaurante de peixe há bodião. Normalmente é feito grelhado ou então em filetes fritos. A minha opção de fazer no forno foi por ser mais rápido e também por gostar muito de peixe assado. E vá… porque queria testar esta receita :D Pré-aquecer o forno a 200º. Comecei por fazer o tempero do peixe: Numa trituradora juntei: -6 tomates secos - 2 dentes de alho - 1 pitada de sal - uma mão cheia de mistura de especiarias - duas mãos cheias de manjericão fresco - azeite e vinagre Tudo triturado até ficar uma pasta. Coloquei os peixes num...

Picado ou Picadinho

É só escolher qual o nome que querem dar a este petisco típico da minha terra – a bela e formosa ilha da Madeira. Curiosamente os pratos típicos da região, tirando a Espada e o Atum, são à base de carne. Não somos produtores mas é uma presença na nossa gastronomia. Exemplo disso é a Espetada a Carne de Vinho e Alhos, o Picado e os deliciosos grelhados (sobretudo de galinha, costeletas de porco e bifes). O Picado é ideal para um jantar em família ou entre amigos. Numa travessa pequena, média ou grande, colocada no meio da mesa serve de mote para por a conversa em dia enquanto se “pica” à vontade. Os mais gulosos muitas vezes têm de levar com um “já chega” que isto é para todos. Hehehehe A receita típica varia sendo que a mais consensual é colocar no molho sopa de rabo de boi. Eu não o faço por questões de gosto pessoal. Como faço o meu picado: - Carne de vaca da boa e tenra cortada aos cubos temperada com sal, alho e louro; - Numa frigideira bem quente com um fio de azeite e ...

Maçaroca: um ícone da ceia de São João!

Tal como a sardinha está para o Santo António, a maçaroca está para o São João. Aqui na Madeira come-se atum salpresado com feijão, pimpinelas (chuchu), batatas e, claro, a maçaroca. Tirando o atum, que é cozido à parte – e a maçaroca também devia ser (e depois vão perceber porquê) –, todos os outros ingredientes são cozinhados com casca e servidos assim mesmo. A ceia é comida na véspera do dia 24, logo, amanhã é dia de festejar o São João. Este ano será na casa dos meus pais! Mas quero-vos falar da maçaroca ou milho doce ou milho amarelo. Aqui na ilha é mais tradicional a maçaroca branca ou o milho branco, mas vou ser sincera, não gosto tanto: é mais seco e tem menos sabor (na minha opinião). Nesta altura do ano a maçaroca está no ponto e nem imaginam como é fácil cozinhá-la! Vamos por partes: Quando compramos a maçaroca é importante ver se os grãos estão amarelos e viçosos. Ao abrir um pouco as folhas consegue-se perceber se estão boas.  Não comprem se os grãos esti...