Avançar para o conteúdo principal

O lado Doce da Europa- uma aventura com final feliz


Integrado nas comemorações oficiais do Ano Europeu para o Património Cultural, a Deputada ao Parlamento Europeu Cláudia Monteiro de Aguiar em parceria com o Centro de Informação Europe Direct Madeira (CIED Madeira) promoveu o Concurso Gastronómico “O lado Doce da Europa”.

O concurso teve como principal objetivo divulgar a gastronomia europeia, especificamente a doçaria, enquanto elemento importante da identidade e diversidade cultural dos  indivíduos, comunidades e sociedades.

As equipas tiveram que reproduzir uma receita - doce/sobremesa típica de um Estado Membro da União Europeia, fornecida aleatoriamente pela organização do concurso.

Aqui começa a aventura!

Quando fui entrevistar a Ângela Jesus para a rubrica “pessoas que eu recomendo” no inicio de março, não me passaria pela cabeça ver-me envolvida neste concurso. Enquanto falávamos, cozinhávamos, tirava fotos e fazia perguntas, surge a questão: Mafalda, quer ser minha parceira num concurso? Eu: concurso? Ângela: sim, de doces! Eu: como assim doces? Sabe que não tenho jeito nenhum! Ângela: ok está combinado, vamos fazer equipa. Eu:  Ai meu Deus agora é que vai ser bonito! Ângela: vou já mandar mail para a casa do povo de Santo António para nos inscrever. Eu: não disse mais nada mas fiquei a pensar onde me estava a meter! Mas depois pensei, a Ângela é uma doceira de mão cheia, só terei a ganhar com a experiência. E mal sabia eu que ganhar era a palavra de ordem em todos os sentidos. Sabem quando vos digo que a vida encarrega-se de por as pessoas certas nos momentos certos nas nossas vidas? É tudo verdade e eu só tenho de estar grata.

Aleatoriamente foi-nos atribuída uma receita típica da Letónia.

Das três opções escolhemos a Cielavina. Foi uma boa escolha pois visualmente era muito apetecível mas nós sabemos que o aspeto não é tudo e quisemos fazer o nosso melhor. (receita no final)

Início do processo

Escolhida a sobremesa combinamos para a praticar.

1.º treino

Compras feitas, ingredientes preparados, receitas em punho, lá nos dedicamos a compor a Cielavina. Como era de prever não correu tudo às mil maravilhas. Para quem gosta deste tipo de desafio é importante salientar que o erro é fundamental no aperfeiçoamento da receita. O merengue ficou denso e o ganache muito duro não fazendo o efeito desejado. O caramelo queimou só acertando o creme entre as camadas. Desengane-se quem acha que a sorte não dá trabalho. Experimentamos uma decoração mas depois de pensar bem não era a mais adequada.



Apesar de muitos dos elementos não terem ficado do nosso agrado foi uma boa maneira de sabermos o que tínhamos de melhorar.

2.º treino

O merengue ficou no ponto, o caramelo salgado também mas... o creme e o ganache talharam. Fizemos e refizemos e não havia maneira de não talhar. Eu nunca tinha ouvido falar que o ganache talhava mas acreditem que aconteceu. Não fazemos ideia do que foi. Repetimos várias vezes e sempre a talhar.  Testamos outra decoração e esse capítulo ficou encerrado.Enchemo-nos de pensamentos positivos, trocamos mensagens durante algumas vezes sempre a especular sobre o creme mas com a confiança que à terceira era de vez até porque seria o dia em que iríamos compor a sobremesa para apresentar aos jurados.



Preparação para a final

Este doce tem de ser feito em 3 dias: num faz-se o merengue, no outro recheamos e no terceiro é servido. Tivemos esse cuidado. Na véspera do concurso reunimos novamente para finalizar a Cielavina (até parece nome de gente). Munimo-nos de ingredientes em excesso para que pudéssemos fazer tudo direito até ficar no ponto certo. Se tivéssemos de fazer 20 vezes o creme, assim faríamos. Felizmente não foi preciso. Para além de ter ficado tudo a nosso gosto divertimo-nos à brava.



5 de maio “grande final” e...... dia de aniversário da Ângela

Como combinado às 15h30 chegamos a Câmara de Lobos para apresentar a nossa sobremesa. Estava um dia de chuva e a organização esteve muito bem ao acautelar este pequeno mas incómodo pormenor.

 As equipas foram chamadas à vez para apresentar a sobremesa ao juri e falar um pouco sobre a mesma. No final, tivemos a oportunidade de experimentar todas as sobremesas a concurso.



A deliberação do júri foi rápida e passada meia hora já havia fumo branco. Eu que estava tranquila comecei a sentir uma espécie de nervosos miudinho. Acho que a Ângela também. Começaram por anunciar que em vez de 5 premiados seriam 6. Boas notícias.

Este este composto por:

Fernando Melo - Critico Gastronómico - Revista Evasões
Cláudia Aguiar - Eurodeputada
Marco Teles - Centro Europe Direct da Madeira

Foi então que começou a chamada do sexto ao primeiro classificado. Eu sinceramente tinha a confiança que pelo menos nos 5 primeiros ficávamos mas chega ao segundo lugar e o nosso nome não tinha sido chamado. Juro que pensei: olha queres ver que correu mal!!! Mas não disse nada. Aliás eu e a Ângela não olhávamos uma para a outra.

E começa: E agora o grande vencedor deste concurso, com grande unanimidade do juri, uma sobremesa muito doce (e eu pronto lá fomos) é a equipa da...pausa prolongada...

Letónia!!!!

Eu nem percebi de imediato mas depois quando disseram o nosso nome deu-me vontade de saltar, hehehe. Sei que começamos a duas a rir num misto de nervoso miúdinho, frio e excitação. Nos cinco primeiros sim, mas ganhar foi deveras uma surpresa. E sabem? Sem falsa modéstia, perder e ganhar é desporto mas ganhar é mesmo bom! Especialmente porque fizemos por isso. Volto a repetir, a sorte dá trabalho.

Que bom presente de aniversário Ângela!

Em princípio no último trimestre do ano vamos a Bruxelas para uma visita ao Parlamento Europeu e quiçá comer umas mules e beber umas cervejas.

Agradecimentos

Em primeiro lugar à Ângela, por me ter desafiado e por ter confiado em mim (mais do que eu própria). Ela não quer que eu diga isto mas, aqui que ninguém nos ouve, o mérito é em grande parte dela.

Aos provadores: Luis, Manuel, Vasco, Luísa, David, Sofia, Laura, Mané e Bino.

à Eurodeputada Cláudia Monteiro Aguiar

ao Centro de Informação Europe Direct Madeira (CIED Madeira)

à Casa do Povo de Santo António.

E a vocês que estão sempre desse lado!

Mafalda

Cielaviņa
Receita típica da LETÓNIA
Ingredientes

Para o merengue:
400 g de açúcar refinado
6 claras de ovos
75 g de farinha
250 g de amendoim ou avelã

Para o recheio:
6 gemas
40 g de açúcar refinado
60 ml de água
400 g de manteiga sem sal amolecida
4 colheres de sopa de cacau em pó holandês
150 g de leite condensado
Rum de 50 ml (opcional)

Para o Ganache de chocolate (cobertura):
150 g de chocolate amargo
75 ml de natas
Amendoim ou avelãs (opcional)
Biscoitos de chocolate (opcional)

Modo de preparação 

Pré-aqueça o forno a 160°C. Forre uma forma antiaderente com papel de manteiga. Desenhe um círculo do tamanho do bolo (geralmente 26 cm de diâmetro) no papel manteiga. Serão necessárias no total três formas (ou uma forma grande, dependendo do tamanho do forno e do bolo).

Para fazer o merengue, pique as nozes no processador de alimentos. Coloque as nozes numa panela e coza por alguns minutos. Retire as nozes da panela e deixe arrefecer completamente. Bata as claras em velocidade baixa, até ficarem espumosas. Aumente a velocidade para alta por 2-3 minutos. Adicione o açúcar, um terço de cada vez e continue a bater em velocidade alta por 2-3 minutos. Por esta altura, a mistura deve ser dura e brilhante. Peneire a farinha; envolva a farinha e as nozes na mistura de merengue. Divida a mistura em 3 partes iguais. Coloque cada parte no meio do círculo desenhado no papel manteiga. Mesmo fora das bordas com uma espátula ou faca de manteiga. Reduza a temperatura do forno para 120°C. Coloque a forma(s) no forno e coza durante por 1 hora. Quando todos os merengues estiverem cozidos, coloque-os novamente no forno (ainda quente, mas desligado) para secar durante a noite.

Para fazer o recheio, deite a água numa panela pequena e adicione o açúcar. Deixe ferver e cozinhe até o açúcar estar completamente dissolvido. Coloque as gemas numa taça e misture com o xarope de açúcar quente. Enquanto mexe, adicione a manteiga amolecida, o pó de cacau peneirado e adicione gradualmente o leite condensado. Deixe o recheio arrefecer completamente.

Para fazer a cobertura, combine o chocolate e as natas numa panela em banho-maria. Mexa com uma colher de metal até ficar homogéneo. Retire a taça do lume. Reserve à temperatura ambiente para arrefecer, mexendo ocasionalmente, até que o ganache fique espesso.

Para a montagem do bolo, pegue num dos merengues e coloque num prato. Divida o recheio em três partes e espalhe um terço do recheio no merengue com uma espátula deixando uma borda de 2cm. Repita com o segundo merengue. Coloque o terceiro merengue no topo e espalhe o recheio por toda a camada superior. Deite o ganache no centro do bolo, em seguida, lentamente, mas de forma constante, deite junto às bordas, permitindo que o ganache escorra pelos lados e cubra o bolo. Decore o bolo com nozes, biscoitos de chocolate picados ou um pouco do recheio.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Vou vender o “meu” pólinho

Sendo uma pessoa que se liberta bem daquilo que não precisa, existem duas coisas que me fazem confusão mudar: a casa e o carro. Talvez por serem bens mais caros e de certa forma mais permanentes e que por isso mesmo estão associados a memórias, vivências e experiências.

Este Volkswagen Polo 1.2 como a marca o chama é o “meu pólinho” do qual pretendo me separar. Como toda a separação sei que é para melhor mas tem o seu momento de luto.

Ora vejamos, este é o meu segundo carro. O primeiro foi um Smart for Two que tive de vender porque engravidei do Vasco e precisava de mais espaço. Como podem ver sou uma mulher de relações duradoras.

Não foi amor à primeira vista porque estava muito apegada ao Smart e custou-me deixá-lo ir. Todavia aos poucos deixo-o entrar na minha vida e aproveitei todas as vantagens que este carro me trouxe. É um carro fácil de conduzir, de estacionar e muito económico (é a gasolina 95). Sairá das minhas mãos muito estimado e tratado com muito carinho.

Assim sendo, está c…

A minha Mãe faz anos mas não gosta que se diga

Então não vou dizer!

A minha mãe, que toda gente sempre julgou ser minha irmã ou minha amiga, faz anos hoje. Tenho a sorte de ser filha de uma mãe jovem; com isso hei-de usufruir da sua companhia por muitos e muitos anos.

Entra hoje numa década que, não há muito tempo, dar-lhe-ia o ‘estatuto’ de velhinha, sentenciada ao facto de que a vida já tinha lhe dado o que tinha que dar. Nada mais errado: é uma mulher ativa, viajada, uma craque nas futeboladas com os netos e, acima de tudo, capaz de pôr tudo a mexer sem que dêmos conta.

Tem um jeito natural para as artes e é a pessoa mais arrumada e organizada que conheço.

Era a grande organizadora das minhas festas de aniversário. Todos os anos se esmerava em me dar e fazer coisas bonitas.

A minha mãe era a minha aliada na adolescência, pondo muitas vezes à sua responsabilidade as minhas saídas mais tardias.

Ficou feliz e preocupada nos meus partos e acredito que tenha sofrido horrores até alguém lhe dizer que estava tudo bem.

Já rimos, já ch…

Douradinhos de fazer inveja ao Capitão Iglo

Antes de 1993, ano que foi lançado o anúncio televisivo dos Douradinhos do Capitão Iglo, onde este oferecia o seu tesouro a uma tribo de índios, toda a gente comia peixe panado. A verdade é que a campanha pegou e o nome douradinhos também. De certa forma, foi a maneira de as crianças comerem peixe sem que fosse um drama.

Felizmente, as coisas mudaram e comer peixe deixou de ser um problema, ainda que quando ele aparece no prato os miúdos fiquem a olhar para mim com um ar desolado. Paciência que é bom e faz bem!

Eles gostam de douradinhos por isso decidi fazê-los à minha maneira.

Como já referi, os douradinhos são peixe panado. Ao fazê-los em casa, garantimos que não levam conservantes e sabemos exatamente quais os ingredientes que vamos ingerir.

Para 4 pessoas usei:
500 gr de filetes de pescada
2 ovos
100 gr de panko (pão ralado japonês)
50 gr de queijo parmesão
15 gr de coentros frescos

Como fiz:
Pré-aqueci o forno a 200º

Forrei um tabuleiro com uma folha de papel vegetal

Cortei o p…