Avançar para o conteúdo principal

Tentar, falhar e não parar!


Hoje venho falar-vos de comida mas não vou acabar com o “ficou ótimo, experimentem”. Escrevo este post porque muitas das vezes que me abordam dizem: ah mas tu fazes coisas tão boas, ah mas para ti sai tudo bem e o que é um elogio, digo eu, faz-me pensar um pouco sobre aquilo que vemos e que consumimos com os olhos e da forma como comunico a minha forma de cozinhar.

Ao partilhar as minhas refeições quero transmitir utilidade, facilidade, agilidade, sabendo que cada um tem o seu tempo e a sua técnica, jamais me passaria pela cabeça querer fazer parecer que é tudo perfeito e maravilhoso e que por um condão mágico tudo me sai bem. A verdade é que 99% das vezes assim o acontece mas há outras que não.

Já falei sobre o assunto, ou seja, por as coisas não nos correrem bem não quer dizer que não saibamos cozinhar ou que nunca seremos capazes de levar à mesa alguma coisa digna. A primeira vez que fazemos um prato, ou quando não temos aqueles ingredientes da receita e adaptamos, ou salgamos a comida, ou fica queimada… simplesmente acontece.

Foi o que me aconteceu ontem. Tinha tudo para dar certo, dediquei-me à confeção e o resultado foi razoável que é como quem diz comam que não há outra coisa. Eu até nem desgostei mas depois de ter pensado um pouco haviam coisas que podia ter feito diferente e outras que não, simplesmente não deu certo.

Comecemos então pelo início. Os meus filhos andavam-me a pedir bife desde a semana passada. Chego ao supermercado e fico na fila do talho quase meia hora pois não queria levar da cuvete, queria carne tenra. Esperei, pedi e fiquei a pensar: bem que valha a pena.

Tinha visto uma receita do Jamie onde falava numa salada de couves. As que referia na receita não as encontrei como couve kale, cavolo nero, roxa, entre outras. Encontrei acelgas, coração de boi e lombarda. Não era a mesma coisa mas ia servir.

O molho para esta salada consistia em ferver 300ml de leite com 5 dentes de alho e 4 filetes de anchovas. Fiz tudo direitinho.

 Entretanto coloquei por cima da panela do leite as couves para ficarem ligeiramente cozinhadas ao vapor.

Reduzi o leite com uma colher de mostarda, sal e vinagre balsâmico tal como dizia a receita. Ficou… mais ou menos.

Grelhei os bifes e tudo na mesa. Primeiro tive de fazer cuscuz que já me olharam de lado que havia pouco substância. Depois a carne estava rija que nem pedra e depois a salada de couve que terminei com parmesão fresco ralado, estava assim meia desenxabida. Não sei… Talvez se tivesse passado as couves pela mandolina, talvez se tivesse posto mais anchovas, talvez o leite tivesse de ser gordo, enfim… Não correu bem.

Repito, eu até nem desgostei mas senti que não era nada daquilo a que me tinha proposto. Comentários vários como: está quase lá mas não está, isto não está 5 estrelas, esta couve é horrível, nem com os dentes de trás se consigo mastigar a carne foram alguns dos permitidos (por mim). Tive de dizer chega que apesar de aceitar e crescer com a crítica, depois de um dia de trabalho e esmero, já estava no limite do meu: bico fechado e tudo de boa cara, quem quiser melhor que faça!

Isto para vos dizer o seguinte, não é uma andorinha que faz a Primavera e não devem autorrotular-se como maus cozinheiros ou pouco prendados para a cozinha quando uma refeição corre mal. Acontece! Só que ninguém partilha fotos de ovo estrelado com a gema toda deslaçada, ou de um peixe “à carvão”. E talvez não o façam porque acham que é feio partilhar, talvez seja, mas não é feio comer o que preparamos e que por um motivo ou outro não ficou “à lá chef”.

Usufruam das vossas refeições, bons cozinhados, boas tentativas e se acharem por bem experimentem esta sugestão nem que seja para confirmar que não vale a pena.

Mafalda

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Vou vender o “meu” pólinho

Sendo uma pessoa que se liberta bem daquilo que não precisa, existem duas coisas que me fazem confusão mudar: a casa e o carro. Talvez por serem bens mais caros e de certa forma mais permanentes e que por isso mesmo estão associados a memórias, vivências e experiências.

Este Volkswagen Polo 1.2 como a marca o chama é o “meu pólinho” do qual pretendo me separar. Como toda a separação sei que é para melhor mas tem o seu momento de luto.

Ora vejamos, este é o meu segundo carro. O primeiro foi um Smart for Two que tive de vender porque engravidei do Vasco e precisava de mais espaço. Como podem ver sou uma mulher de relações duradoras.

Não foi amor à primeira vista porque estava muito apegada ao Smart e custou-me deixá-lo ir. Todavia aos poucos deixo-o entrar na minha vida e aproveitei todas as vantagens que este carro me trouxe. É um carro fácil de conduzir, de estacionar e muito económico (é a gasolina 95). Sairá das minhas mãos muito estimado e tratado com muito carinho.

Assim sendo, está c…

A minha Mãe faz anos mas não gosta que se diga

Então não vou dizer!

A minha mãe, que toda gente sempre julgou ser minha irmã ou minha amiga, faz anos hoje. Tenho a sorte de ser filha de uma mãe jovem; com isso hei-de usufruir da sua companhia por muitos e muitos anos.

Entra hoje numa década que, não há muito tempo, dar-lhe-ia o ‘estatuto’ de velhinha, sentenciada ao facto de que a vida já tinha lhe dado o que tinha que dar. Nada mais errado: é uma mulher ativa, viajada, uma craque nas futeboladas com os netos e, acima de tudo, capaz de pôr tudo a mexer sem que dêmos conta.

Tem um jeito natural para as artes e é a pessoa mais arrumada e organizada que conheço.

Era a grande organizadora das minhas festas de aniversário. Todos os anos se esmerava em me dar e fazer coisas bonitas.

A minha mãe era a minha aliada na adolescência, pondo muitas vezes à sua responsabilidade as minhas saídas mais tardias.

Ficou feliz e preocupada nos meus partos e acredito que tenha sofrido horrores até alguém lhe dizer que estava tudo bem.

Já rimos, já ch…

Douradinhos de fazer inveja ao Capitão Iglo

Antes de 1993, ano que foi lançado o anúncio televisivo dos Douradinhos do Capitão Iglo, onde este oferecia o seu tesouro a uma tribo de índios, toda a gente comia peixe panado. A verdade é que a campanha pegou e o nome douradinhos também. De certa forma, foi a maneira de as crianças comerem peixe sem que fosse um drama.

Felizmente, as coisas mudaram e comer peixe deixou de ser um problema, ainda que quando ele aparece no prato os miúdos fiquem a olhar para mim com um ar desolado. Paciência que é bom e faz bem!

Eles gostam de douradinhos por isso decidi fazê-los à minha maneira.

Como já referi, os douradinhos são peixe panado. Ao fazê-los em casa, garantimos que não levam conservantes e sabemos exatamente quais os ingredientes que vamos ingerir.

Para 4 pessoas usei:
500 gr de filetes de pescada
2 ovos
100 gr de panko (pão ralado japonês)
50 gr de queijo parmesão
15 gr de coentros frescos

Como fiz:
Pré-aqueci o forno a 200º

Forrei um tabuleiro com uma folha de papel vegetal

Cortei o p…